• O Laboratório de Estudos de Dípteros (LED) realiza pesquisas em ecologia, biologia e controle alternativo de Diptera (com ênfase na família Calliphoridae) e Hymenoptera (com ênfase na família Pteromalidae). O LED é coordenado pelas professoras Dra. Valéria Magalhães Aguiar Coelho e Dra. Cláudia Soares Santos Lessa e é composto por uma equipe multidisciplinar de graduandos, mestrandos e doutorandos em biologia, biomedicina, enfermagem e medicina. Estamos situados na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO (Instituto Biomédico - Rua Frei Caneca, 94, Centro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. CEP 20211-040).
  • Blog Stats

    • 7,115 hits
  • Coloque seu e-mail para receber novidades e notificações do Blog.

    Junte-se a 3 outros seguidores

Terapia larval: O uso de larvas na Medicina

O que é?

Terapia larval, terapia com larvas medicinais, biocirurgia, bioterapia ou biodesbridamento é a utilização de larvas de moscas necrobiontófagas (que se alimentam exclusivamente de tecido necrosado) no tratamento de diferentes tipos de feridas. Estas larvas atuam removendo o tecido necrosado, estimulando o tecido de granulação e promovendo a descontaminação microbiana.

Larvas de diferentes espécies já foram utilizadas na terapia larval, no entanto, a mais utilizada é Lucilia sericata (Meigen, 1826), muito comum em países do hemisfério norte. No Brasil, espécies como as do gênero Chrysomya (Robineau-Desvoidy, 1830) apresentam potencial para a mesma utilização, visto que possuem aspectos biológicos e comportamentais semelhantes à L. sericata. Na Colômbia, pesquisadores já desenvolvem estudos utilizando Lucilia eximia (Wiedemann, 1819) em pacientes1.

Chrysomya megacephala, fêmea (à esquerda) e macho (à direita), uma das espécies existentes no Brasil com potencial para utilização em terapia larval.

Chrysomya megacephala, fêmea (à esquerda) e macho (à direita), uma das espécies existentes no Brasil com potencial para utilização em terapia larval.

Histórico

Ao longo da história, o homem tem buscado formas diversificadas e naturais para tratar suas feridas, com o objetivo de diminuir a dor e o tempo de cicatrização. A utilização de larvas de certas espécies de moscas na limpeza de feridas é conhecida há séculos. Civilizações antigas como tribos aborígenes da Austrália2, habitantes do Norte de Mianmar3 e os Maias na América Central já utilizavam os benefícios desta técnica4.

A terapia larval foi utilizada de forma intencional pela primeira vez nos Estados Unidos em 1931, por William Baer, cirurgião ortopédico no Hospital Johns Hopkins. Durante a primeira grande guerra, Baer observou que feridas infestadas por larvas de moscas nos soldados que eram recolhidos nos campos de batalha apresentavam melhora significativa em relação aos outros, devido à ação de desbridamento (remoção no tecido necrosado) realizada naturalmente por essas larvas.

Com base nessas observações, 10 anos mais tarde, ele repetiu o mesmo princípio no tratamento de pacientes acometidos com osteomielite. Apesar do êxito obtido (sucesso em 90% dos casos), a utilização dessa técnica teve de ser interrompida, já que alguns pacientes apresentaram tétano. Foi então que pesquisas visando a desinfecção das larvas e a esterilização de ovos das moscas começaram a se desenvolver.

A terapia com larvas medicinais foi utilizada rotineiramente até meados da década de 40 em mais de 300 hospitais. No entanto, com o advento dos antibióticos e o aperfeiçoamento das técnicas de desbridamento cirúrgico, a terapia larval foi considerada obsoleta até o início de 1980. Nesse período, devido ao aumento de pacientes com feridas necróticas e pés diabéticos e também pela resistência das bactérias a inúmeros antibióticos, a terapia larval voltou a ser utilizada nos Estados Unidos, Reino Unido e Israel5. Atualmente, a terapia larval é utilizada em mais de 30 países ao redor do mundo e cerca de 24 laboratórios fornecem larvas estéreis para esse tipo de tratamento. No Brasil, vem sendo estudados mecanismos para esterilização de ovos e desinfecção de larvas de diferentes espécies, no entanto, o procedimento ainda não foi aplicado em pacientes.

Referências bibliográficas

1 ECHEVERRI, M.I.W.; ÁLVAREZ, C.R.; HIGUITA, S.E.H.; IDÁRRAGA, J.C.W.; FRANCO, M.M.E. Lucilia eximia (Diptera: Callphoridae), uma nueva alternativa para la terapia larval y reporte de casos en Colombia. Iatreia 23: 107-116. 2010.

2 DUNBAR G.K. Notes on the Ngemba tribe of the Central Darling River of Western New South Wales. Mankind; n. 3, p.177–80, 1944.

3 GREENBERG, B. Flies and Diseases: Biology and Disease Transmission. Vol II Princeton University Press, Princeton, NJ, p. 740 , 1973.

4 WEIL G.C. ; SIMON R.J. ; SWEADNER W.R. A biological, bacteriological and clinical study of larval or maggot therapy in the treatment of acute and chronic pyogenic infections. Am. J. Surg.; nº 19, p.36–48, 1933.

5 MUMCUOGLU K.Y.; INGBER A.; GILEAD L.; STESSMAN J.; FRIEDMANN R.; SCHULMAN H. Maggot therapy for the treatment ofintractable wounds. International Journal of Dermatology 1999; 38(8):623-627.

.

Autores

Adriana Cristina Pedroso Ferraz

Analu Bento

Bárbara Gadelha

Daniele Lourinho Dallavecchia

Valéria Magalhães de Aguiar Coelho

Anúncios

Apresentação

O Laboratório de Estudos de Dípteros (LED) foi criado em 2001 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro pela Profª Drª Valéria Magalhães Aguiar com o objetivo de desenvolver estudos acerca da família Calliphoridae, as conhecidas moscas varejeiras.

A equipe de estagiários do laboratório está em constante renovação e atualmente é composta por alunos dos cursos de Ciências Biológicas, Biomedicina, Enfermagem e Medicina, distribuídos nos diferentes projetos de pesquisa. A excelência da equipe de estagiários vem sendo confirmada com os prêmios concedidos nos últimos anos pela Jornada de Iniciação Científica da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Este blog foi criado com o objetivo de divulgar a pesquisa realizada pelo laboratório e aproximar possíveis interessados em parcerias, assim como ajudar a difundir conhecimento acerca das moscas em geral e, em especial, as da família Calliphoridae e seu potencial controlador biológico o microhimenóptero da família Pteromalidae  Nasonia vitripennis.